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Primeiro dia do fim do mundo

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14.09.2026

The Joker, Taskmaster e agora The Floor. Não tenho problema nenhum em que a RTP continue a estrear concursos estrangeiros mantendo o seu título original, deduzo que sejam obrigações contratuais ou apenas pura preguiça, o que me arrelia é que todos eles sejam apresentados pelo Vasco Palmeirim, será apenas coincidência?

The Floor entrou agora na sua terceira temporada, afirma-se como o “maior tabuleiro de jogo da televisão portuguesa”, no qual “cem concorrentes vão dar tudo por tudo para ganhar 50 mil euros”. A ideia é gira, o “maior tabuleiro da televisão portuguesa” é uma espécie de jogo de damas em que os concorrentes jogam uns contra outros em duelos singulares com perguntas de cultura geral.

O problema do The Floor é que a sua amostra é enorme, o que complica a individualização e destaque dos concorrentes. E os concursos devem acima de tudo depender do carisma dos concorrentes, especialmente aqueles que ganhem duelos e permaneçam no jogo de semana para semana. No segundo episódio, o “calhómetro”, sistema aleatório que escolhe os concorrentes a duelo, escolheu o carismático Pedro Figueiredo, um estudante do politécnico de Setúbal que guarda argolas de latas de refrigerante, porque “quando houver o apocalipse, essa vai ser a moeda usada”. Não interessa se o Pedro é negacionista, ou apenas bizarro, o que interessa é que serve o propósito de programas como este. “Estás feliz, Pedro?”, pergunta Palmeirim. “Estás a ver o hambúrguer? Eu sou a carne”, respondeu Pedro, antes de entrar para o duelo que o eliminou. Como se confirma, a carne é fraca.

Domingo, 30 de agosto

Último episódio de Portugal Criminal, com a impressionante história do Cabo Costa, militar da GNR que matou três raparigas em Cabecinha de Rei, Santa Comba Dão, em 2006. Excelente narrativa da reportagem da SIC, tanto na reconstituição geográfica dos crimes, como na escolha dos protagonistas, neste caso os familiares, as autoridades, os investigadores, e a memória, sempre o protagonista principal de casos que parecem esquecidos e que parece que regressam para nos atormentar as noites.

A mim, particularmente neste caso, chocou-me o depoimento da mãe de uma das vítimas, que não deu particular importância ao desaparecimento da sua filha, uma vez que ela costumava sair sem avisar. São relatos de gerações em que a alienação parental era reduzida a uma fuga para o estrangeiro, e, apesar de só terem passado vinte anos, vai uma grande diferença para os dias de hoje, em que pais helicópteros vigiam obsessivamente todos os passos dos seus rebentos, talvez sempre a recear que eles possam ser as próximas vítimas, mas nunca os próximos homicidas.

Segunda-feira, 31 de agosto

O noticiário da TVI dá um pequeno destaque a mais um fenómeno meteorológico que antecipa o fim do mundo, descrevendo a ocorrência de um “diabo da poeira” testemunhado nos céus de Chaves. No oráculo da notícia lê-se “devil dust”, mas devia ler-se “dust devil”, nome correto para definir o que aconteceu em Trás os Montes, e, se calhar, mais o título de um........

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