Miserabilis humanitas
Leão XIV tornou pública, a 15 de Maio, a sua primeira encíclica, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”. O texto, longo de 64 páginas, 10 das quais são carregadas como 224 notas em que se glosa, por vezes de forma artificial, uma suposta intertextualidade entre a doutrina de Leão XIII, Pio XI, Pio XII, Paulo VI, João Paulo II e Francisco vai muito mais além do objecto anunciado no subtítulo.
Ora leiam, que é coisa que já ninguém faz, excepto a inteligência artificial.
“Outrora, eram sobretudo os Estados a orientar e a dirigir a inovação. Hoje, pelo contrário, os principais motores do desenvolvimento são sujeitos privados, frequentemente transnacionais, dotados de recursos e capacidades de intervenção superiores aos de muitos Governos.” (5)
“Na teoria, em si mesma, [a tecnologia] não é uma solução para os problemas da humanidade, assim como não é, em si mesma, um mal; todavia, na prática, não é neutra, porque tem o rosto daqueles que a concebem, financiam, regulam e utilizam.” (9)
“o poder público tem a delicada tarefa de «harmonizar com justiça» os diversos interesses em jogo, procurando um equilíbrio entre os bens particulares e os bens da colectividade,........
