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Humanização em Saúde: A necessidade de uma nova cultura institucional

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24.08.2026

Humanizar os cuidados de saúde não é uma utopia generosa de alguns idealistas. É uma necessidade clínica, ética, estratégica e também económica. É uma condição para que os sistemas de saúde recuperem a confiança das populações, para que os profissionais recuperem o sentido da sua missão e para que os doentes recuperem a sua saúde e a sua dignidade.

A humanização em saúde não constitui apenas uma orientação técnica ou um conjunto de boas práticas clínicas. Trata-se, antes de mais, de uma interpelação filosófica profunda à forma como as instituições de saúde concebem o ser humano, a doença, o cuidado e a relação terapêutica. Pensar a humanização é, portanto, regressar às questões fundacionais da ética e da antropologia filosófica: o que é o ser humano? O que significa cuidar? E que tipo de instituições são capazes de acolher, na sua plenitude, a condição humana?

A modernidade ocidental construiu os seus sistemas de saúde sob o primado da racionalidade científica e técnica. O modelo biomédico tende a fragmentar o sujeito doente, reduzindo-o ao órgão afetado, ao diagnóstico codificado, ao processo clínico numerado. Neste paradigma, o corpo é objeto de intervenção e a eficiência torna-se o critério dominante de avaliação institucional. O sofrimento, enquanto experiência subjetiva e existencial, ficou progressivamente........

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