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Quem decide o que pode ser pensado?

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31.03.2026

Uma das estratégias típicas da esquerda, sobretudo da sua variante radical, é o seu comportamento totalitário disfarçado de superioridade moral. Não se trata apenas de sectarismo ou de intolerância partidária. Trata-se de uma estrutura mental e política: a convicção de que a esquerda não representa apenas uma posição entre outras, mas o próprio lado da História, da Justiça e do Bem. E, quando um campo político começa a ver-se não como uma parte da sociedade, mas como o seu tribunal moral, o resultado tende a ser sempre o mesmo: deslegitimação do adversário, patologização da dissidência e, em última instância, exclusão do outro enquanto interlocutor legítimo.

É precisamente aqui que reside o seu núcleo totalitário. O totalitarismo não tem de começar com polícia política, campos de reeducação ou censura oficial. Começa antes: quando um movimento deixa de reconhecer no adversário um opositor legítimo e passa a vê-lo como um obstáculo moral à redenção da sociedade. Começa no momento em que a discordância passa a ser tratada como algo de cariz pecaminoso. A partir daí, pensar de forma diferente já não é apenas estar errado; é ser cúmplice do mal, da opressão, da injustiça, da violência estrutural ou da regressão histórica. E, uma vez instalada esta lógica, tudo passa a ser permitido em nome de uma suposta urgência moral superior.

Esta mentalidade define unilateralmente o que é o bem e o que é o mal, estabelece regras que valem para uns e não para outros e aplica padrões morais seletivos com a convicção de quem se julga acima de qualquer suspeita. A discriminação praticada pela esquerda é apresentada como justa, necessária ou até pedagógica; a mesma atitude, quando vem da direita, é condenada como odiosa ou inaceitável. A violência, o radicalismo, a humilhação pública e até o insulto, quando surgem à esquerda, tendem a ser relativizados, contextualizados ou desculpabilizados; quando surgem à direita, são tratados como sintomas alarmantes de uma ameaça moral ou civilizacional.

O critério deixa, assim, de ser a natureza do ato e passa a ser a identidade ideológica de quem o pratica. E esta é uma das características definidoras da mentalidade totalitária. Já não existem princípios comuns aplicáveis a todos; existem permissões seletivas administradas por uma moral de tribo. O mesmo gesto muda de valor consoante a sua origem política. A mesma linguagem pode ser considerada resistência ou extremismo, denúncia ou discurso de ódio, justiça ou........

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