A viragem do Chega à esquerda
Sábado, 4A viragem do Chega à esquerda
Foi André Ventura que o disse, mais ou menos assim: «Se votar contra a reforma laboral e defender a descida da idade da reforma é ser de esquerda, pois então nestas matérias o Chega é de esquerda». Uma das razões que me levou a admirar André Ventura foi a sua coragem de se afirmar, sem qualquer hesitação, como um político de direita. Sempre gostei também dos seus ataques ao PS e às esquerdas, sem receios de hostilizar quem se habituou a mandar em Portugal.
Foi por este passado, que a declaração de Ventura me desiludiu profundamente. Em Portugal, as esquerdas impingiram uma fraude aos portugueses. Em matérias sociais, as direitas são egoístas e só pensam nos lucros económicos, e as esquerdas têm a exclusividade da preocupação com a justiça e os direitos sociais. Com aquela afirmação, Ventura contribuiu para esta fraude. Isso é imperdoável para uma pessoa de direita.
André Ventura deveria ter dito o seguinte: o Chega é a direita que defende os mais pobres, os desfavorecidos; é a direita que está ao lado do povo. E não é como as esquerdas que enchem os seus discursos com os direitos do povo, mas só pensam nos seus privilégios. Ao não dizer isto, e a afirmar-se de esquerda na questão da idade da reforma, Ventura mostrou que coloca o oportunismo à frente das convicções e da consistência intelectual de um verdadeiro político de direita. É lamentável.
Domingo, 5O populismo dos partidos de esquerda
Vale a pena seguir com atenção os primeiros discursos de Andy Burnham, o futuro líder trabalhista e futuro PM britânico. Burnham será o primeiro PM trabalhista que assumirá, sem qualquer hesitação, o populismo de esquerda. Percebeu que as causas identitárias e os votos dos imigrantes não chegam para uma maioria absoluta.
Além disso, o partido trabalhista enfrenta a competição muito eficaz de Farage e do Reform pelo voto trabalhador. Como antigo Mayor de Manchester, Burnham sabe muito bem que os trabalhistas só poderão vencer as próximas eleições se mantiverem e recuperarem votos das classes trabalhadoras. A competição entre a esquerda e a direita populista pelos votos dos trabalhadores e das classes médias baixas vai intensificar-se em toda a Europa, incluindo em........
