Resistência? Ao quê?
Não conhecemos o número exato de iranianos assassinados pelo regime dos aiatolas durante os protestos das últimas semanas. 20 mil? 30 mil? É uma questão quantitativa que em nada altera a dimensão moral do massacre perpetrado contra cidadãos cansados de um regime sanguinário que os oprime há quase cinquenta anos.
Então, o Ocidente, que se considera ainda o bastião da democracia e da liberdade, mesmo que embarque em derivas iliberais - algumas estruturais, outras conjunturais -, certamente condena as ações desumanas e tirânicas dos mulás de Teerão em uníssimo e sem “mas”. Este é, decerto, um raciocínio natural. O problema é que é ingénuo. Vejamos o exemplo do Parlamento Europeu.
Na semana passada, foi aprovada uma resolução que visa condenar «a repressão brutal contra os manifestantes no Irão». Os eurodeputados votaram a favor de forma esmagadora. A unanimidade fugiu por pouco, mas fugiu. E por que, e por........
