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‘Regime change’, ‘regime alteration’ e a sombra dos Vulcões

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11.03.2026

Ainda não tínhamos entrado no terceiro mês de 2026 e Donald Trump já tinha decapitado o segundo de dois regimes vincadamente anti-americanos. Maduro, preso a aguardar julgamento em território dos EUA, e Ali Khamenei, o aiatola que se juntou a outras figuras sanguinárias e traidoras do seu próprio povo nos mais baixos círculos reservados por Dante no seu Inferno. 

Mas as intervenções externas americanas, e particularmente as intervenções no Médio Oriente, carregam consigo um peso histórico que não pode, nem deve, ser ignorado. A sombra do fracasso no Iraque continua a pairar sobre Washington e, sendo a comparação irresistível, é necessário dar um passo atrás para conseguir ver de uma forma mais abrangente o que está em jogo. Primeiro, importa entender, ainda que de forma resumida, a filosofia americana de projeção de poder no estrangeiro. A visão de um império americano – um império benevolente, diga-se – incumbido de uma missão histórica e civilizacional de libertar os povos deste mundo era uma abordagem tipicamente liberal (no sentido americano do termo) – o Presidente Woodrow Wilson foi o seu expoente máximo –, com os conservadores associados a uma abordagem mais circunscrita às fronteiras nacionais e alargando-se, no máximo, ao hemisfério ocidental. 

A chegada de Ronald Reagan à Casa Branca veio romper com esta ortodoxia. A questão das Filipinas em meados da década de 1980 abriu o debate no seio conservador sobre se os Estados Unidos deveriam promover estritamente os seus interesses – que, num cenário de Guerra Fria, se encontraram não poucas vezes em contradição com os interesses da evangelização democrática – ou se deviam ser missionários. E foi a intervenção no Panamá em 1989 que marcou o início das intervenções externas em nome dos valores liberais no pós-guerra fria, já com a ameaça do expansionismo comunista mais ou menos contida. Neste sentido, e como explicou James Mann (The Rise of The Vulcans, p. 180), «o Panamá foi o precursor do esforço americano posterior contra Saddam Hussein no Iraque». Nas páginas seguintes, Mann identifica........

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