A próxima central elétrica pode estar na sua garagem
O sistema elétrico do futuro não dependerá apenas da capacidade de produzir energia limpa, mas também da capacidade de a armazenar. Um veículo elétrico ou uma bateria doméstica poderão tornar-se fontes de rendimento e arbitragem tarifária, armazenando eletricidade quando é mais barata e descarregando-a quando as tarifas são mais elevadas. Estes ativos passarão a ser, em potência, reservatórios energéticos, por vezes móveis e dinâmicos, capazes de injetar eletricidade na rede quando necessário e de assumir um papel relevante no seu apoio e equilíbrio.
O armazenamento descentralizado de energia elétrica (em baterias), fora da lógica das grandes centrais, começa a ser muito mais do que um detalhe técnico e muito menos do que um luxo para entusiastas. Uma bateria em casa, um veículo elétrico estacionado numa garagem, uma frota eletrificada em circulação ou, num horizonte cada vez menos distante, veículos autónomos com capacidade de conexão inteligente, são cenários que apresentam uma possibilidade nova, a de termos milhares de pequenos ativos energéticos distribuídos pelo território, disponíveis para absorver excedentes quando há produção a mais e, em determinadas condições, devolver energia à rede quando ela é mais necessária. A Comissão Europeia tem vindo a sublinhar que a descarbonização do sistema exigirá mais armazenamento e mais flexibilidade, num contexto em que a potência operacional de armazenamento na Europa ronda os 66 GW e poderá atingir 132 GW até 2035, sendo precisamente nas baterias que se concentra a maior........
