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Está patente…

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Recebemos recentemente, na nossa Unidade de Investigação (UI), um pedido de esclarecimento no âmbito de um projeto da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Um daqueles projetos denominados estratégicos porque financiam as UIs e permitem, entre muitas outras coisas, que os investigadores façam investigação. A dúvida do auditor dizia respeito à pertinência das despesas com patentes. Confesso que, por momentos, fiquei sem saber como interpretar a pergunta. Não terão os auditores da antiga FCT, agora integrada na nova Agência para a Investigação e Inovação, a AI², sido informados sobre o que significam investigação, inovação e valorização do conhecimento?

É que a ironia é difícil de ignorar. A AI² foi criada precisamente juntando num mesmo organismo a FCT e a Agência Nacional de Inovação (ANI). A intenção declarada é aproximar investigação e inovação, melhorar a ligação entre conhecimento e economia e aumentar o impacto económico e social da ciência. A própria missão da nova agência inclui expressamente a investigação fundamental, a investigação aplicada, a valorização do conhecimento, o desenvolvimento tecnológico e a inovação, incluindo a empresarial de base científica e tecnológica. E uma das manifestações mais óbvias dessa valorização, sobretudo quando falamos da criação de tecnologias disruptivas, é precisamente a proteção de propriedade intelectual: a patente. Dir-se-ia que a sua pertinência deveria estar… patente.

Talvez, portanto, tenha interpretado mal a pergunta. Decidi dar ao auditor o benefício da dúvida e imaginar que pretendia, na realidade, colocar uma questão muito mais interessante: vale mesmo a pena patentear? Talvez fosse até uma nota amiga de precaução. “Tem a certeza de que quer fazer isso? Tem mesmo intenção de transformar esta patente em valor comercial?” Só faltava acrescentar: “Já sabe que estamos em Portugal. Se tentar valorizá-la através da criação de uma startup, prepare-se para procurar capital de risco disposto a investir em deep-tech, aceitar ciclos longos de desenvolvimento e financiar a passagem do laboratório para a indústria. E, se optar pelo licenciamento a uma empresa consolidada, não se surpreenda se lhe quiserem comprar a patente e o conhecimento a preço de saldo, de preferência depois de todo o trabalho, risco e investimento necessários à industrialização já terem sido suportados pelo sistema científico.” Se fosse esta a preocupação, até poderíamos ter uma conversa interessante.

Infelizmente, sei que não era. Ao longo dos anos, quem gere........

© SOL