Marcelo, o príncipe dos afectos
Na próxima segunda-feira fará 10 anos que Marcelo Rebelo de Sousa desceu a pé a Calçada da Estrela em direcção à Assembleia da República para tomar posse como Presidente da República. O gesto, simples e simbólico, marcou desde logo o tom do mandato que agora termina. Num país habituado a liturgias formais, aquele percurso a pé anunciava um Presidente próximo, disponível e, sobretudo, diferente.
Se Mário Soares ficou na memória colectiva como o rei da República, Marcelo Rebelo de Sousa será recordado como o príncipe dos afectos.
Os portugueses já o conheciam muito antes de chegar a Belém. Tinha sido líder do PPD, era o Professor Marcelo, docente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, mas sobretudo o comentador político que durante décadas entrou semanalmente nas casas dos portugueses, primeiro na TSF e depois nas televisões, com especial destaque para a TVI. A presidência foi, nesse sentido, uma continuação natural dessa proximidade.
Desde cedo imprimiu um estilo muito próprio ao cargo. As selfies tornaram-se uma imagem de marca e ganharam até um nome particular quando tiradas com o Presidente: as “marselfies”, termo que entrou no léxico popular e até na infopédia. Mais do que um gesto mediático, simbolizavam uma forma de exercer o poder: com as pessoas, no meio das pessoas.
Essa ligação foi especialmente visível junto dos mais frágeis. Marcelo deu atenção........
