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A ditadura moderna não proíbe, escolhe por nós

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12.03.2026

Durante décadas, quando se falava de censura em Portugal, pensava-se imediatamente no lápis azul. Era simples de identificar. Alguém decidia o que podia ou não podia ser publicado, e aquilo que não agradava ao regime era riscado antes de chegar ao público.

Hoje o cenário é diferente. Não há um censor, cacico de uma ideologia a venerar o seu ditador, sentado numa secretária, nem textos cortados antes de serem impressos. Não há um lápis azul.

Mas isso não significa que o condicionamento do pensamento tenha desaparecido. Na verdade, tornou-se mais subtil.

Vivemos numa época em que parece existir liberdade absoluta de expressão. Todos podem falar, comentar, publicar, reagir. Nunca foi tão fácil produzir conteúdo e partilhar opiniões.

No entanto, existe uma diferença silenciosa entre aquilo que pode ser dito e aquilo que realmente chega às pessoas.

Nem tudo o que é dito tem a mesma probabilidade de ser ouvido.

Hoje grande parte do que vemos passa por filtros invisíveis. Plataformas digitais organizam a informação através de algoritmos que determinam aquilo que aparece primeiro, aquilo que ganha destaque e aquilo que praticamente desaparece no meio do ruído digital.

É........

© Sapo