O dia em que o teto ruiu
Há decisões políticas que passam quase despercebidas no momento em que são tomadas e que só mais tarde revelam o seu verdadeiro impacto. O dia 10 de abril foi um desses dias, quando, no Parlamento em Lisboa, foi decidido deixar cair o teto máximo do subsídio social de mobilidade para as deslocações de residentes e estudantes entre os arquipélagos e o Continente. E com isso ruiu também um dos poucos mecanismos de disciplina num sistema já de si frágil.
Este subsídio foi criado em 2015 pelo governo da Geringonça e tinha como princípio – debatível, é certo – compensar a distância financeira (porque a geográfica está afastada com o avião) entre o Continente e as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, assim definidas politicamente para, justamente, dependerem menos do Estado central do que as também distantes regiões de Trás-os-Montes ou Beira Alta. Pretendia-se com este subsídio garantir que um residente nos arquipélagos não pagasse mais do que um determinado valor do seu bolso nas deslocações ao Continente: 79 euros no caso da Madeira, 119 euros nos Açores. Se as companhias aéreas cobrassem mais caro, o Estado compensaria essa diferença ao........
