Curitiba e a obsessão brasileira da TAP
Hoje inaugura-se mais uma rota da TAP para o Brasil. Desta vez, o 14º destino é Curitiba. As fotografias serão bonitas, haverá discursos sobre a aproximação entre povos irmãos, sobre o reforço da presença portuguesa no Brasil e sobre o papel de Lisboa como ponto de passagem “obrigatório” dos brasileiros viajando para a Europa. O problema é que nenhum destes clichés responde à pergunta que verdadeiramente interessa: este voo faz sentido do ponto de vista económico e operacional?
Há muito que a estratégia brasileira da TAP deixou de ser verdadeiramente escrutinada e passou a ser aceite quase como um dogma nacional. Sempre que se anuncia uma nova rota para Vera Cruz, instala-se um consenso automático: quanto mais Brasil, melhor. Mas na aviação, quantidade não significa rentabilidade e à medida que a TAP vai acrescentando destinos secundários no Brasil, esta sua operação torna-se cada vez mais complexa e o seu ativo mais valioso – o avião de longo curso – passa mais tempo a fazer aquilo que nenhuma companhia aérea deseja, sobretudo em tempos de jetfuel caro: voar em condições operacionais deficitárias.
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