A utilidade de Trump
Atribuir a um político a categoria de utilidade não é, em princípio, a forma mais comum de tratar destas questões. Corajoso, carismático, decidido ou reformista apresentam-se como os atributos mais generalizados dos agentes que fazem dos assuntos da Polis a sua profissão, respondendo, se tudo correr pelo melhor, a uma vocação. Jaime Nogueira Pinto, ao ser questionado sobre Trump, indicou aquela faceta (a utilidade) como a mais importante do presidente norte-americano. Num programa televisivo da SIC Notícias, o escritor, politólogo e historiador dava as suas razões: apontava o ódio ao wokismo, vertido num combate sem tréguas, a sua principal qualidade.
Realmente, desde a campanha das últimas eleições presidenciais, em que derrotou uma protagonista dessa ideologia, esse aspeto é revelador de uma predisposição para contrapor, no sentido democrático do termo, qualquer manifestação vinda daquela visão em território norte-americano. Entretanto, a sua ação foi sendo copiada e adaptada por vários protagonistas europeus, na respetiva escala e possibilidades constitucionais e parlamentares.
Uma das formas mais eficazes de anular ou restringir a perspetiva woke é desanuviar e limpar as universidades dos professores e disciplinas que a defendem, sustentam e aprofundam. Esta contracultura, diagnosticada, de resto, por Irving Kristol há décadas, enraizou-se de tal forma na intelectualidade ocidental que se tornou, moldando........
