O teu CPC é a Ariana e sobe sempre que o Google quer
Opinião de Marco Gouveia, consultor e formador de Marketing Digital, CEO da Escola Marketing Digital e autor do livro “Marketing Digital: O Guia Completo”
Se achavas que o segredo mais bem guardado de 2026 era o namoro de cinco anos da Eva e do Diogo, lamento informar-te, mas foste enganado pela produção. O verdadeiro drama, aquele que te devia fazer perder o sono, é o triângulo amoroso tóxico que manténs com o Google e a Meta. Tu dás-lhes tudo e eles retribuem mudando as regras do jogo a cada cinco minutos, como uma “Voz” sádica que decide subir o custo dos teus anúncios só porque sim. Já notaste que o teu CPC está a disparar enquanto a tua relevância parece a de uma planta na gala de domingo? Pois é, bem-vindo à cadeira quente do marketing digital, o verdadeiro Secret Story com o qual te devias preocupar.
Para quem anda distraído do ecrã da TVI, eu explico:
O Google é o Diogo — entrou com uma relação oficial (a Eva), mas mal viu uma oportunidade, saltou para a Ariana, deixando toda a gente sem saber com o que contar. O Google fez o mesmo: prometeu-te uma relação estável baseada em cliques e resultados orgânicos, mas agora “distraiu-se” com a Inteligência Artificial e as AI Overviews.
O teu CPC é a Ariana — apareceu, ocupou o espaço, gerou barulho e, de repente, o Diogo (Google) está focado nela. No marketing, o teu CPC (Custo por Clique) é a Ariana: está sempre a subir, é imprevisível e exige cada vez mais dinheiro para te manteres no jogo. É aquela “distração” cara que te consome os recursos e te obriga a licitar cada vez mais alto para não seres esquecido.
Tu és a Eva — a marca que investiu anos na “relação” com o Google. Fizeste o SEO direitinho, foste fiel às boas práticas, criaste conteúdo… E agora estás na sala a ver o Diogo (Google) dar todo o destaque à novidade, enquanto o teu dinheiro desaparece para alimentar um leilão que parece favorecer tudo menos a tua estabilidade.
O resumo da tragédia é que o Google diverte-se a mudar as regras, o CPC sobe de forma descontrolada como o ego de um concorrente em semana de imunidade, e tu ficas a ver os teus lucros desaparecerem enquanto tentas perceber como é que voltas a ser a “preferida” do algoritmo.
O teu cliente já não te é fiel. Ele agora faz Search Everywhere e salta do TikTok para o Instagram, passa pelo YouTube, ainda vai ver o que se diz no Reddit e acaba a pedir conselhos à IA. Se não geras conteúdo que as pessoas sintam necessidade de partilhar ou usar, tu não existes.
Repara no fenómeno: tu nem precisas de ligar a televisão para saber que o Diogo e a Eva entraram com um segredo de casal e que a Ariana veio baralhar as contas. És bombardeado. É um corte no TikTok, um meme no Instagram, uma discussão no X. A produção de conteúdo deste Secret Story tornou o tema inevitável em todos os cantos da internet.
É exatamente isto que falta à tua marca. O teu conteúdo tem de ser o “gatilho” que obriga o cliente a procurar-te, mesmo quando ele não sabia que precisava de ti. No marketing moderno, ou és o assunto da conversa em todo o lado, ou és apenas ruído de fundo que toda a gente ignora no zapping.
Não vale a pena ires ao confessionário chorar porque o custo por clique está a subir. Com a IA a ocupar o topo do ecrã e o Google a “maquilhar” cada vez mais os anúncios para que pareçam orgânicos, o verdadeiro SEO está a ser empurrado para baixo de uma camada de respostas criadas por máquinas e resultados pagos camuflados.
Com isto não quero, de todo, dizer que o SEO tradicional está ultrapassado. O orgânico continua a ser o pilar da credibilidade, mas agora entra em cena o GEO (Generative Engine Optimization). O consumidor quer a solução sintetizada, ali, no momento. O segredo agora é não só estar bem posicionado no Google, mas também ser citável pela IA. Precisas de uma presença forte que faça com que a IA te escolha como favorito para dar a resposta final. Se o teu conteúdo é apenas palha, prepara-te, pois vais ser o próximo a ir à chapa.
Então, como não ser o próximo expulso?
Fazer de “planta” e esperar que a produção te salve não é opção. É tempo de seres mais estratégico:
1 – Diversifica: se o custo num canal te está a sufocar, procura audiências onde ainda se consiga respirar. Não ponhas as tuas fichas todas no mesmo concorrente. 2 – Qualidade sobre o Volume: com menos espaço para apareceres, a relevância é a tua única imunidade. Se o teu anúncio não resolve o problema do utilizador em três segundos, estás só a queimar tempo de antena. 3 – Produz Conteúdo Para Várias Plataformas: faz como a produção do Secret Story e espalha a tua mensagem por várias plataformas para que quando a IA for procurar uma resposta, não tenha outra escolha senão dizer o teu nome. Além disso, aumentas os pontos de contacto com os clientes.
É por isto que momentos de debate técnico, como o que teremos no SEO Conference 2026, em maio, são fundamentais. Já não são apenas eventos de networking; são ferramentas de sobrevivência. Precisas de te sentar com quem sabe, perceber quem é que está realmente a jogar e decidir como vais liderar esta era sem seres “cancelado” pelo mercado.
O marketing digital “fácil” acabou. Agora, ganha quem tiver inteligência de dados e a coragem de admitir que as regras mudaram. Vemo-nos em maio para discutir qual é, afinal, o segredo do sucesso? Eu estarei lá. E tu, vais assumir a liderança da casa ou vais ficar a ver o direto no sofá?
