Um Irão nuclear é problema de todos
"Quando Israel for levado ao limite (...) e o Irão estiver prestes a produzir a sua primeira bomba nuclear, Israel irá desferir um ataque e será condenado por todos os países. Mas em privado, mesmo os países árabes irão dar graças a Deus por Israel ter feito o que mais ninguém faria. A escolha que temos é entre uma guerra com um Irão nuclear ou uma guerra em algum momento prévio com um Irão impedido de se tornar nuclear e que idealmente dará ao povo iraniano a melhor oportunidade de derrubar o regime que o esmaga. E ainda bem que não estamos dependentes dos europeus para fazê-lo porque a Europa voltaria a cometer os erros de sempre."
O discurso do internacionalmente reconhecido jornalista e autor britânico Douglas Murray tem mais de 13 anos e voltou a correr mundo pela profecia que encerra do tempo que vivemos. Um tempo em que os representantes do confortavelmente instalado mundo ocidental se queixam de uma guerra que, lá tão longe, está a deixar a conta do supermercado demasiado cara e a tornar impossível encher o depósito do carro. Os atentados aos direitos dos iranianos e sobretudo às iranianas nunca moveram flotilhas. A ameaça nuclear é vista como um delírio de belicistas que não representam os que dizem "não à guerra". O mundo é preto e branco e nessa dualidade crua não há dúvidas de que se Israel e Trump estão de um lado, a única posição moralmente aceitável é ficar do outro e de megafone em punho. Ainda mais quando os efeitos das ações deles nos emagrecem a carteira.
É o retrato de um Ocidente que recusa a defesa da sua forma de vida porque não concebe que a ataquem — e se há quem o faça, certamente terá razão ou desculpa, seja um ataque a uma universidade, um atentado a uma sinagoga, uma bomba artesanal atirada contra uma multidão ou uma tentativa de assassinato de........
