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Quando Passos Coelho fala, quando Passos Coelho cala

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02.06.2026

Foram oito anos de silêncio. Oito anos sem comentários políticos ou posicionamento público, sem sequer um azedume visível numa qualquer rede social quando seria tão fácil quanto natural que verbalizasse bem alto a discordância quanto à ideologia de extrema-esquerda que então tomou o Parlamento e disparasse alarmes a sinalizar os efeitos da implosão a meio caminho das reformas urgentes que aceitou como missão, com um custo sem precedentes para a vida dos portugueses e para a sua carreira política (materializado no contundente "que se lixem as eleições").

Quando podia ter amaciado a governação para ganhar créditos e conservar a AD no governo, Pedro Passos Coelho preferiu continuar o tratamento de choque que sabia ser fundamental para resgatar Portugal do fundo do poço. E com isso, claro, irritou muitos dos seus aliados, que teriam preferido manter-se no poder a garantir a saída limpa em tempo recorde — mais ainda porque, apesar da guerra social que se instalou nas ruas, conseguiu vencer as eleições legislativas que se seguiram aos anos da troika.

Manteve o silêncio quando seria fácil tornar-se alternativa a uma governação socialista praticamente sem oposição, enquanto Rui Rio e Chicão rebentavam com os respetivos legados e Ventura capitalizava o vazio político........

© Sapo