Nas redes sociais, meninos não entram? Ai, entram, entram!
Antes sequer de saberem andar ou falar, muitos bebés já sabem mexer num smartphone. Convenhamos, é prático: se os pequenos estiverem entretidos e até conseguirem escolher o que querem ver no ecrãzinho, os pais podem estar descansados nas suas tarefas, conversas ou jogos digitais, sem serem aborrecidos com a sua necessidade de atenção. É fácil e barato, que a internet já é quase ilimitada e tem conteúdo para todas as idades.
O diabo é que o miúdo do vizinho no outro dia foi parar às Urgências porque o desafio do paracetamol não correu bem. E entretanto souberam que a colega da filha tinha deixado de ir à escola porque todos os miúdos da turma tinham nos telefones a fotografia dela em soutien, e o filho de uns amigos foi detido com os restantes membros de um grupo online cujos membros nem se conheciam mas de quando em vez se juntavam para espancar quem não encaixava nos padrões do grupo. Menos mal, mas a sua menina perfeita também acabou de ser suspensa porque gravou e partilhou imagens das suas amigas a fazer uma dança do TikTok no recreio da liceu— e aparentemente isso viola uma quantidade de leis e regras de privacidade.
Nas famílias portuguesas, o primeiro telemóvel próprio chega à mão dos miúdos aos 10 anos — e certamente não se materializa por geração espontânea. É assim em 95% dos casos e, salvo as exceções da ordem, quando os recebem já as crianças sabem mexer-lhes melhor do que qualquer adulto na sala. Serem capazes de navegar livremente não significa, porém, que estejam aptas a fazê-lo. Mas em lugar de o país se mobilizar por educar os miúdos para saberem lidar com o que possam ter de enfrentar, decide-se pelo placebo (que neste caso faz mesmo mal): proibir.
O absurdo é deste calibre: os pais que convenientemente colaram os miúdos aos ecrãs querem agora que as leis, da escola ou da........
