Fazer as pazes com a velhice: habitar o tempo sem estar constantemente a tentar vencê-lo
Há uma contradição curiosa no tempo em que vivemos. Nunca se falou tanto de slow living, de work-life balance, de presença, de bem-estar e de saúde mental. E, ao mesmo tempo, nunca parecemos ter vivido tão cansados, tão acelerados e tão incapazes de parar.
Vivemos permanentemente ligados ao mundo e desligados de quase tudo o resto. Consumimos informação em excesso, acompanhamos guerras em tempo real, sabemos o que se passa em vários continentes antes de sabermos o nome do vizinho do lado. Fazemos scroll enquanto vemos séries, respondemos a mensagens enquanto jantamos, ouvimos podcasts enquanto caminhamos e, mesmo nos momentos de descanso, parece existir sempre uma necessidade de produtividade escondida.
Talvez por isso haja hoje um fascínio crescente por conceitos como desacelerar, simplificar ou viver de forma mais consciente. Mas há qualquer coisa irónica neste fenómeno: andamos a transformar em tendência aquilo que muitas pessoas mais velhas nunca chegaram verdadeiramente a perder.
Num dos livros que mais me fizeram pensar nos últimos tempos, “Ambição Moral”, Rutger Bregman defende que uma vida com sentido exige mais do que sucesso individual ou performance permanente. Exige ligação aos........
