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A inovação que Portugal já faz e aquela que ainda pode liderar

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26.02.2026

Num tempo em que o mundo tecnológico evolui a um ritmo quase descontrolado, desafiando empresas, governos e cidadãos, importa recordar que a inovação não acontece por acidente. Exige método, visão, persistência, investimento e um ecossistema que acredite que é possível criar tecnologia com impacto real. 2026 marca um ponto de viragem: é o ano em que as mudanças deixam de ser apenas incrementais para se tornarem elementos estruturais da competitividade. Depois de anos a falar de digitalização, inteligência artificial e automação, entramos na fase em que estas tecnologias não só amadurecem como se tornam indispensáveis para garantir competitividade, soberania e resiliência num mundo hiperconectado. Hoje já não basta acompanhar o futuro; é necessário construí-lo.

Portugal tem mostrado capacidade para acompanhar esta evolução, beneficiando de décadas de investimento em redes de nova geração, em centros de I&D e na colaboração entre empresas, universidades e o setor público.

Ao longo desse percurso, foram surgindo projetos que refletem uma maturidade crescente na forma como o país desenvolve e testa soluções tecnológicas — desde sistemas cognitivos para operações de rede a novas abordagens de automação suportadas por inteligência artificial – e que demonstram que a transformação deixou de ser uma ambição para se tornar uma inevitabilidade operacional.

Se há área em que a mudança é mais evidente, é na inteligência artificial. 2026 será o ano de consolidação da chamada Agentic AI, sistemas que não se limitam a conversar, mas que são capazes de executar tarefas de forma autónoma, aprender com o contexto e atuar sobre sistemas reais. Nas operações de rede, no suporte ao cliente ou na gestão de infraestruturas críticas, estes agentes inteligentes passam a integrar uma nova arquitetura operacional que coloca a IA no centro da tomada de decisão e prepara o setor para uma adoção massiva de automação avançada.

Essa adoção massiva assume uma pressão inédita sobre as redes: mais tráfego, mais dispositivos, mais serviços críticos, mais requisitos de latência cada vez mais exigentes e níveis de segurança sem precedentes. As redes de ultra banda larga, os avanços na ótica, a integração do 5G com aplicações espaciais e os primeiros passos nas comunicações quânticas, posicionam Portugal na linha da frente da conectividade de ultra-alta capacidade na Europa e tornam-se o alicerce da competitividade económica e da soberania digital que a Europa procura há mais de uma década.

Com efeito, a evolução das comunicações não se esgota na automação de processos; depende sobretudo da robustez da infraestrutura física que sustenta serviços, cidades e comunidades. Os dispositivos que levam conectividade a milhões de casas em todo mundo, estão a moldar o futuro da fibra ótica, permitindo aos operadores simplificar a evolução das suas redes. Ao consolidar as exigências das próximas gerações de fibra numa única arquitetura, estes equipamentos tornam possível responder ao crescimento do tráfego, à diversidade de dispositivos e às necessidades de latência cada vez mais críticas.

Nenhuma destas conquistas existe isoladamente. Para além da tecnologia, há um fator que continua a ser decisivo: o talento. Tudo resulta do know-how e empenho de centenas de especialistas, investigadores, engenheiros, programadores, designers e gestores que acreditam que a inovação se constrói todos os dias, e que Portugal pode liderar em áreas estratégicas como as telecomunicações, a automação e a ciência dos dados. Sempre que o talento português é colocado no ecossistema certo, com desafios globais e ambição internacional, está à altura de qualquer centro de inovação no mundo.

Vivemos, portanto, um momento de viragem. As redes tornam-se mais autónomas, os sistemas mais inteligentes e os serviços mais personalizados. Mas essa evolução não substitui a a visão humana, amplia-a. Permite decisões mais informadas, respostas mais rápidas, modelos de negócio mais ousados e uma maior capacidade de antecipar crises e disrupções.

Portugal tem condições para continuar a afirmar-se neste cenário, não apenas pela tecnologia que desenvolve, mas pela forma como integra conhecimento, experiência e ambição num esforço coletivo de modernização. É essa combinação — e não apenas os avanços de uma instituição em particular — que pode permitir ao país posicionar-se de forma mais sólida no mapa global da inovação.


© Sapo