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Exército Europeu: necessidade estratégica ou ilusão política?

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friday

Donald Trump afirma sem qualquer tipo de pudor: "Precisamos mesmo da Gronelândia…". E acrescenta, após o ataque a Caracas, como que surfando uma gigantesca onda de sucesso: "Precisamos da Gronelândia para a nossa própria segurança." Não se ficando por aqui, resolve lançar mónitas ameaçadoras a outros países designadamente ao México, a Cuba e à Colômbia. Estas narrativas desabridas do presidente norte-americano devem ser levadas mesmo a sério? A resposta é óbvia, sem dúvida alguma que sim.  Não nos iludamos. Trump não é um defensor da atual ordem internacional liberal, democrática e baseada em regras. Se dúvidas subsistissem, estas acabaram justamente de se dissipar. É sim, mais um acérrimo paladino de um mundo protagonizado por zonas de influência. Digo mais um, porque em boa verdade não é o único, muito longe disso. Antes dele, já Putin mostrou exatamente isso mesmo, pois persiste em restaurar velhas zonas de influência, de momento, na Ucrânia.

Trump quer a Gronelândia porquê? A resposta neste ressuscitado quadro das relações entre Estados, aonde o poder desempenha o papel gínglimo, onde é realmente Rei, torna-se óbvia: simplesmente porque pode. Porque tem poder para isso e porquanto daí colhe claros dividendos económicos e nítidas vantagens securitárias. É claro que, na estrita defesa da respetiva soberania, estas ameaças já receberam resposta oficial por parte do executivo dinamarquês. A sua primeira-ministra, Mette Fredriksen, disse: “… ser completamente inútil falar sobre a possibilidade dos EUA tomarem a Gronelândia. Estes não têm o direito de anexar nenhum dos três países que compõem o Reino da Dinamarca. A Gronelândia e o seu povo deixaram claro que não estão à venda e apelaram a Washington D. C. para que pare de ameaçar um aliado historicamente próximo…".

Vista como um todo e analisada com a devida parcimónia a política externa de Donald Trump assemelha-se, amiúde, a um verdadeiro reality show. O mediatismo tem estado quase sempre no centro da sua ação. Neste seu consulado: reuniões deploráveis de raro dramatismo como a que sucedeu com Zelensky, em fevereiro de 2025, deixando o mundo estupefacto, algo nunca antes televisionado; anúncios inopinados e muitas vezes imprevisíveis postados em redes sociais como a Truth Social; cortes abruptos com velhos aliados e encenações meticulosamente coreografadas como o encontro com Putin no Alasca, têm vindo a constituir uma constante desta política externa errática e mesmo bizarra da Casa Branca. Trump “fulanizou” as relações internacionais. Apostou em contactos diretos entre líderes, como........

© Sapo