A transição energética não se mede apenas em gigawatts
Por Tiago Morais, gestor de Desenvolvimento de Eólica Flutuante em Portugal para a Iberblue Wind
Nos últimos anos, o debate energético em Portugal tornou-se cada vez mais polarizado. De um lado, sublinha-se o sucesso da integração de energias renováveis; do outro, critica-se o aumento da potência instalada de tecnologias renováveis quando comparado, de forma implícita, com a potência instalada equivalente que seria necessária em tecnologias fósseis para assegurar a segurança de abastecimento do sistema elétrico. Muitas destas críticas partem de observações legítimas, mas falham frequentemente no essencial: confundem consequências técnicas inevitáveis da descarbonização com falhas estruturais de política energética.
A transição energética implica substituir tecnologias fósseis, altamente despacháveis e com fatores de carga elevados, por tecnologias de baixo carbono e renováveis com produção mais variável. O resultado é inevitável: para produzir a mesma quantidade de energia anual, é necessário instalar mais potência de origem renovável para garantir, ao nível do sistema elétrico, o mesmo nível de energia útil e de potência firme do que seria de esperar com tecnologias fósseis. Isto não é um erro de planeamento, mas uma consequência física da........
