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A hora de despertar na União Europeia

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23.03.2026

Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

 Será que vai conseguir que o mais essencial da Europa finalmente avance para uma União mais política e federal?

Trump já conseguiu que o Reino Unido esteja a aproximar-se da União Europeia.

Passados 23 dias sobre o início do que Trump começou por chamar de “pequena excursão” militar ao Irão está a ficar evidente que o nosso destino, para além do que já sofremos com Putin na Ucrânia, está na mão das loucuras dos chefes da guerra no Médio Oriente: Trump, Netanyahu e de quem está ao comando no Irão, possivelmente já não será algum aiatola (Khamenei filho não dá sinal de vida) mas o sistema de comando dos militares  guardas da revolução.

Esta guerra está com evolução imprevisível, receia-se que prolongada, e consolida-se a perspetiva de a consequência sobre a economia global e sobre os nossos bolsos se tornar ainda mais grave, porque se a guerra se prolongar sem que se afrouxe o nó que estrangula o fornecimento de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, e de uma parcela muito maior de componentes essenciais para a produção de fertilizantes determinantes para a agricultura, os efeitos nefastos acumular-se-ão, uns sobre os outros, levando a problemas ainda maiores.

De um dos grandes vigias dos mercados da energia, Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE) já emanou um aviso que nos mostra a gravidade do que está a acontecer: “Estamos confrontados com a maior ameaça à segurança energética mundial em toda a história”.

O Irão mostra estar pronto para uma longa guerra de desgaste e ameaça a economia global com os bombardeamentos estratégicos sobre instalações de petróleo e gás com interesses americanos nos emirados do Golfo.

Trump continua a parecer sem estratégia e os sinais de que as consequências deste ataque ao Irão não foram estudadas. O ultimato de 48 horas a Teerão com a ameaça de destruição das infraestruturas energéticas se o Estreito de Ormuz não fosse reaberto, espirava nesta segunda-feira mas foi prolongado por cinco dias na sequência de “conversações positivas” com negociadores iranianos. Parece claro que Trump está a ficar desesperado para sair desta guerra para a qual se precipitou empurrado por Netanyahu. Trump está a perceber os riscos eleitorais que esta guerra lhe está a colocar. Confia na fidelíssima base MAGA, mas há franjas republicanas e, sobretudo, o eleitorado independente, que tradicionalmente decide as eleições, que está a sentir na carteira o preço desta guerra a que se opõe. A negociação com quem tem poder em Teerão, embora rejeitada por Netanyahu, disposto a levar a guerra até às últimas consequências, passou a estar assumida por Donald Trump.

Esta guerra está a consumir entre um e dois mil milhões de dólares por dia. O piquenique da “excursão” anunciada por Trump está com preço brutal. E no Pentágono, o secretário da Guerra, Pete Hagseth,  está a pedir ao Congresso mais 200 mil milhões de dólares porque, argumento que ele invoca com sorriso de apresentador de televisão “custa muito dinheiro matar os tipos maus”.

Está para se ver como vai a cidadania dos EUA reagir a esta loucura.

O que está a ficar evidente é que os líderes europeus reconhecem que não podem continuar inertes e divididos perante a prepotência unilateral de Trump.

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