O mundo hoje: Porta-aviões, petróleo e poder!
Enquanto a guerra na Ucrânia domina, com razão, as preocupações europeias, há outro conflito devastador que recebe pouca atenção: o Sudão. Nos últimos três anos, cerca de 400 mil sudaneses terão morrido. Só nas últimas seis semanas, estima-se que mais 60 mil pessoas tenham sido massacradas em Darfur por forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita. Do outro lado oponente, está a força que conta com o apoio dos Emirados Árabes Unidos, atualmente a perder terreno, mas ambos os lados acumulam acusações de brutalidade.
No Iémen, a guerra civil ganhou uma nova configuração. Os Houthis, apoiados pelo Irão, controlam Sana'a e parte do antigo Iémen do Norte. No Sul, forças apoiadas pelos Emirados dominavam a maior parte do território, incluindo áreas ricas em petróleo, e tinham como base Aden, embora Abu Dhabi tenha investido fortemente no porto de Mukalla. Quando os Emirados impulsionaram um referendo para restaurar a independência do Iémen do Sul, Riade reagiu. A Arábia Saudita lançou uma ofensiva terrestre e aérea que, em poucas semanas, desmantelou a posição das forças pró-Emirados, retomou Mukalla e reforçou o governo oficialmente reconhecido. O projeto separatista colapsou e os Emirados sofreram um revés estratégico significativo.
Do outro lado do Mar Vermelho, a Somália permanece fragmentada. A Somalilândia funciona como Estado independente de facto, apesar do reconhecimento internacional limitado. Puntland mantém posição ambígua. O governo central, em Mogadíscio, enfrenta militantes islâmicos. A Somalilândia tornou-se relativamente estável, com apoio dos Emirados, e ganhou reconhecimento recente da Turquia, da Etiópia e de Israel. Para Adis Abeba, o acesso a um porto alternativo é estratégico, reduzindo a dependência do Djibuti, onde a influência chinesa é forte. Os Emirados destacam-se na construção de infraestruturas portuárias, algo que desagrada aos sauditas, que resistem ao reconhecimento formal da Somalilândia. No centro desta disputa estratégica está a ilha de Socotra, ocupada pelos Emirados, que ali desenvolvem porto e base aérea.
Até há poucos anos, sauditas e emiradenses cooperavam, sobretudo para conter a influência iraniana. Com o enfraquecimento dos aliados regionais de Teerão, a antiga convergência perdeu força e emergiu rivalidade aberta.
A Arábia Saudita firmou um tratado de defesa com o Paquistão em Setembro do ano passado,........
