Defesa Nacional e Forças Armadas: o guarda-chuva da Nação
Faz parte da natureza humana só reconhecer o valor do guarda-chuva quando a chuva cai. Com as Forças Armadas Portuguesas (FFAA) tem sido, demasiadas vezes, exactamente assim. Nos dias de calamidade que recentemente se abateram sobre o País, quando vidas, casas e empresas foram postas à prova, tornou-se evidente aquilo que durante anos muitos preferiram ignorar: sem FFAA capazes, organizadas e disponíveis, a resposta do Estado ficaria perigosamente incompleta.
Hoje, dificilmente alguém, sobretudo quem sofreu directamente os efeitos desta tragédia, duvida da sua importância. E, no entanto, como a memória colectiva é curta, a primeira crítica que surgiu foi a de sempre: a acusação apressada de que a presença das FFAA no terreno serviria apenas para “cenário de propaganda” da Defesa Nacional.
O que convenientemente se esqueceu, e que nenhuma televisão mostrou, foi o ponto de partida. No dia em que a AD tomou posse, em Abril de 2024, há pouco menos de dois anos, ninguém filmou a herança que o detentor da tutela das FFAA encontrou no gabinete: uma Defesa fragilizada, desestruturada e desvalorizada politicamente.
Durante mais de uma década, e ao longo de vários governos, a Defesa Nacional foi um dos sectores mais penalizados pela ausência de visão estratégica, pela inconsistência das políticas públicas e por uma crónica falta de investimento. Os sucessivos governos do Partido Socialista deixaram umas FFAA subfinanciadas, com recursos humanos desmotivados, equipamentos obsoletos, uma Lei de Programação Militar sucessivamente adiada ou descaracterizada e uma tutela frequentemente desligada da realidade militar.
Falava-se de “FFAA equipadas”, mas retiravam-se meios. Exigia-se maior prontidão operacional enquanto se cortava no treino, na manutenção e na formação. Prometia-se modernização sem verbas, cativando orçamentos. Reclamava-se recrutamento oferecendo condições pouco competitivas, diria miseráveis até. O resultado foi previsível: perda significativa de efectivos, degradação de capacidades e episódios que simbolizaram o desnorte político da tutela, desde regulamentos ideológicos de inclusão até à caricatura trágica da oferta de roupa interior feminina à Ucrânia. O que este Governo encontrou foi, sem exagero, o mesmo que as Forças Armadas encontraram nas zonas afectadas pela tempestade Kristin, uma casa sem........© Sapo
