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As quatro estações de Kiyv e o inverno europeu

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12.10.2026

Sun Tzu ensinava que as guerras se ganham antes de serem combatidas. Esta é uma tese incómoda para Moscovo e, em boa medida, também para Bruxelas: a Ucrânia aplicou esses princípios elementares com uma disciplina que poucos exércitos da Aliança demonstraram nas últimas décadas. O nome da operação já é uma pista: Vivaldi, e as suas quatro estações, mas a pergunta que importa é a que preço, e quem o paga?

Para devolver mobilidade à frente, Kiyv começou por retirar os drones inimigos da equação, com guerra eletrónica pesada e a destruição simultânea das equipas de operadores e das suas bases, para que nenhuma cobrisse a falha da outra. Seguiu-se a artilharia, cuja superioridade russa de dez para um teria baixado para menos de dois para um, com drones capazes de danificar o cano junto à culatra e inutilizar a peça sem a destruir. Depois veio a negação logística, paciente e atritante, até asfixiar o abastecimento. Só então entrou a ofensiva: octocópteros pesados a transportar robots terrestres armados, que limpam os pontos fortes menores, e meia dúzia de carros de combate a rematar o trabalho e a recuar antes dos russos se adaptarem.

Do outro lado, descreve-se um exército que responde à inovação com carne: homens mal equipados, com três dias de instrução, lançados numa frente onde a logística foi cortada. A perda da Starlink e o falhanço da constelação russa completam o quadro.

O essencial do argumento resiste ao confronto com as fontes. A operação começou em maio, mas só recentemente foram divulgados os pormenores, e a primeira fase não foi um avanço, foi uma operação de preparação do terreno. O comandante do 3.º Corpo de Exército, Andriy Biletskyi, indica que o total recuperado ascende a 176 quilómetros quadrados. Zelensky, por sua vez, declarou que as três "estações" já cumpridas frustraram o plano russo de furar para a retaguarda da aglomeração Sloviansk–Kramatorsk, e que está a ser preparada uma quarta.

O Institute for the Study of War (ISW) vai no mesmo sentido, com a prudência própria de um instituto independente. Avalia que a contraofensiva reduziu substancialmente o saliente russo a norte de Lyman e comprometeu a tentativa de cercar o "cinturão-fortaleza" pelo norte. As suas contas são mais modestas do que as de Kiyv: a Rússia perdeu o controlo de quase 300 quilómetros quadrados entre março e setembro de 2026, período em que a Vivaldi libertou pelo menos 147. O ISW avisa ainda que parte do território registado como libertado em setembro pode ter sido retomado antes, porque a Ucrânia ocultou o progresso da operação. O sigilo, afinal, funcionou também contra os analistas.

Os números do lado russo são eloquentes. Segundo o ISW, em setembro a Rússia, na melhor das hipóteses, não ganhou terreno, e pagou-o com mais de 46 mil baixas, o pior mês do ano. Desde janeiro, o avanço médio mensal russo rondará 15,5 quilómetros quadrados, contra cerca de 405 em 2025. A síntese da Euronews com mapas do ISW, que circula nas redes, acrescenta pormenores geográficos (os eixos Ridkodub–Nove–Novomykhailivka e Yarova–Drobysheve–Stavky) e uma discrepância que diz tudo sobre o regime: Putin afirmaria controlar 89% da região de Donetsk, quando os analistas estimam que não passe de 81%.........

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