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IA como motor de competitividade no mercado português

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17.03.2026

Por Lúcia Cardoso Pereira, Diretora de Marketing da Adecco Portugal

A inteligência artificial já não é apenas um tema tecnológico. É um fator de competitividade que está a redefinir a forma como as organizações se posicionam no mercado, junto de clientes, mas sobretudo junto de talento.

Num contexto português marcado por escassez de perfis qualificados, pressão sobre a produtividade e necessidade de maior diferenciação, a integração estratégica da IA pode representar uma vantagem clara. Mas essa vantagem não se mede apenas em eficiência operacional. Mede-se na capacidade de transformar dados em decisões mais inteligentes, experiências mais personalizadas e propostas de valor mais relevantes.

Segundo o Future of Jobs Report 2023 do World Economic Forum, as competências ligadas à tecnologia e à análise de dados estão entre as que mais crescerão até 2027. Esta tendência tem implicações diretas para o marketing aplicado ao talento. Hoje, atrair e fidelizar profissionais exige compreender comportamentos, antecipar expectativas e comunicar de forma segmentada e consistente. A inteligência artificial permite exatamente isso: maior capacidade de leitura do mercado, personalização da jornada do candidato e otimização contínua da experiência do colaborador.

De acordo com estudos recentes da McKinsey sobre adoção de IA demonstram que as organizações que combinam tecnologia com investimento em competências conseguem ganhos significativos de eficiência e maior capacidade de adaptação. No entanto, a tecnologia, por si só, não garante diferenciação. O verdadeiro impacto surge quando é integrada numa estratégia clara de posicionamento e cultura.

No mercado português, onde predominam PME, o desafio é particularmente relevante. Integrar inteligência artificial não significa apenas automatizar processos de recrutamento ou análise de dados. Significa repensar a forma como a marca comunica propósito, como constrói confiança e como sustenta uma proposta de valor coerente entre discurso externo e experiência interna.

Existe ainda uma dimensão reputacional que não pode ser ignorada. Num mercado de trabalho onde a confiança é determinante, a forma como as organizações utilizam a inteligência artificial, com transparência, ética e foco humano, influencia diretamente a sua atratividade. A tecnologia pode reforçar a experiência do colaborador, mas só se for acompanhada de liderança responsável e comunicação clara.

Neste sentido, a competitividade portuguesa dependerá cada vez mais da capacidade de conjugar tecnologia com visão estratégica de marca. A inteligência artificial não substitui o marketing, amplifica-o. Permite decisões mais informadas, comunicação mais relevante e experiências mais alinhadas com as expectativas de uma nova geração de profissionais.

Num mercado em transformação, a IA é mais do que uma ferramenta operacional. É um instrumento de posicionamento. E as organizações que a integrarem com visão, consistência e foco nas pessoas estarão mais bem posicionadas para competir, não apenas em eficiência, mas na atração de talento, na força da sua reputação e na construção de um crescimento sustentável.


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