Dívida externa, a almofada para reformar o país
Portugal fechou o ano de 2025 com uma dívida externa líquida correspondente a 36,2% do PIB, o valor mínimo desde 2001. Em tempos de catástrofes que exigem uma resposta financeira robusta do Estado, esta notícia é muito positiva, e não é pelos motivos óbvios: É, na prática, um barómetro sobre o risco da economia portuguesa.
Portugal foi à bancarrota em 2011 precisamente por causa do nível de dívida externa líquida que superava os 100% da riqueza criada. Ora, como os portugueses aprenderam à força da austeridade, uma economia que deve menos ao exterior é menos refém de choques de financiamento, de subidas rápidas de juros e de mudanças súbitas no apetite dos investidores. A redução da dívida externa não aumenta os salários por si só, mas reduz a probabilidade de regresso de uma crise financeira voltar a comer anos de salários e de investimento.
Vamos por partes. A dívida externa líquida de Portugal — que corresponde aos passivos líquidos perante o exterior (simétrico da........
