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A IA precisa de jornalismo, mas não o financia

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08.06.2026

A Inteligência Artificial é uma oportunidade demasiado importante para ser discutida como se houvesse apenas dois campos, os entusiastas sem reservas e os defensores de um mundo que já não volta. O ponto decisivo não é esse, é saber se a nova economia da informação será construída sobre inovação, contratos e responsabilidade, ou sobre a captura gratuita do trabalho que outros pagaram para produzir.

No ECO não temos dúvidas sobre onde ficamos neste debate. A IA já entrou no ECO, está a entrar nas redações, vai mudar profissões, vai alterar modelos de negócio e vai permitir mais jornalismo, melhor investigação, o tratamento de mais dados e a inovação editorial. Já estamos e queremos usar ainda mais a tecnologia, e queremos usá-la bem, porque as redações que souberem fazê-lo terão uma vantagem efetiva sobre as que ficarem à espera. E do ponto de vista editorial, definimos há muito que é uma prioridade, com a criação da marca .IA, um projeto editorial (liderado por Flávio Nunes) que envolve mais de uma dezena de parceiros, e um knowledge partner como o INESC e o professor Arlindo Oliveira.

Dito isto, usar bem a IA não é o mesmo que aceitar a ficção económica que a sustenta. É essa a distinção que A. G. Sulzberger, publisher do New York Times, desenvolve no ensaio que publicou há dias e que merece ser lido com atenção por qualquer pessoa que se preocupe com a qualidade da informação, e com a economia que a suporta.

O ensaio não é uma peça contra a tecnologia, mas um aviso contra uma certa economia da informação e da tecnologia, a que existe hoje. No ECO, somos entusiastas da Inteligência Artificial e do que isso significa em termos de jornalismo aumentado (é assim que lhe chamo). Atualizamos o nosso Estatuto Editorial para refletir essa realidade e pagamos pela utilização das plataformas que a desenvolveram, porque........

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