Os desafinados
A arte e a imaginação nascem com a expulsão do Éden. Quando deixamos de gostar do que se passa à nossa volta, o desconforto, a inquietude, a dor, instalam-se, e a necessidade de mudar o mundo também. Northrop Frye escreveu o seguinte no livro Imaginação educada: “A arte começa assim que o ‘eu não gosto disto’ se transforma em ‘não é assim que o imaginaria’.” E logo aqui se percebe que o gesto artístico não é um ornamento, um qualquer penduricalho acrescentado ao mundo, mas uma abertura no seu tecido (Rumi escreveu: “é pela ferida que entra a luz”), como uma consequência daquela expulsão do Éden a que todos estamos permanentemente sujeitos. O mundo não quer saber do que gostaríamos que ele fosse, mantém-se teimosamente como é, e priva-nos da perfeição que imaginamos para ele e para nós. Somos portanto um animal desafinado, talvez o mais desafinado de todos. O ser humano privado da harmonia imediata com o que o rodeia — e pela sua fragilidade inerente — tem de inventar um lar, um mundo sem a hostilidade que sente à sua volta. Até aqui, tudo bem. Todos os seres vivos têm algum impacto no seu entorno, mas o problema reside na intensidade ou dimensão: talvez nenhum o faça de tal forma que chega à destruição de tudo o que cria ou de parte do que cria, bem como da própria humanidade ou parte dela (uma frase atribuída a Vonnegut, diz — parafraseio — que somos a única espécie que........© Sapo

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