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A história não contada do primeiro caça supersônico brasileiro

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26.03.2026

Embraer apresentou o caça F-39E Gripen em Gavião Peixoto (SP), resultado do Projeto FX-2 iniciado no governo Dilma.

O Brasil chose a Saab (Suécia) em vez da Boeing (EUA), gerando pressão internacional e investigações sem provas de irregularidades.

O acordo garantiu transferência de tecnologia, com 350 engenheiros brasileiros capacitados na Suécia e 12 mil empregos gerados.

Quinze das 36 aeronaves serão fabricadas no Brasil, fortalecendo a soberania de defesa aérea na América do Sul.

A cerimônia realizada na fábrica da Embraer, em Gavião Peixoto (SP), marcou mais do que a apresentação de um novo vetor militar. O caça supersônico F-39E Gripen simboliza um capítulo pouco lembrado da política industrial brasileira — e uma decisão estratégica tomada ainda no governo de Dilma Rousseff.

Lançado no contexto do Projeto FX-2, o acordo com a sueca Saab foi alvo de forte resistência política e midiática à época.

Críticos questionavam custos, prioridades e até a escolha da parceira internacional. Muitos preferiam a aquisição de jatos da Boeing, dos EUA. Até Joe Biden, então vice de Obama, veio ao Brasil tentar convencer a presidenta da compra dos armamentos.

Dilma foi alvo de pressões dos EUA para compra de jatos Boeing Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Dilma não retrocedeu. Optou pela opção que fazia mais sentido do ponto de vista estratégico e econômico, além de garantir a transferência de tecnologia para a Embraer.

O Ministério Público Federal tentou impor crimes à presidenta, que chegou a depor na Justiça Federal sobre a compra do caça. Os Estados Unidos, preteridos na decisão, abriram investigações contra a sueca Saab para “averiguar irregularidades”. A Inglaterra chegou a interrogar um ex-diretor da Saab sobre a venda dos Gripen para o Brasil. Um deputado bolsonarista tentou abrir uma CPI para investigar o caso.

Nunca houve prova ou acusação fundada na realidade. Todas as investigações e pressões, na verdade, eram uma tentativa de melar o acordo que garantiu ao Brasil a preponderância de defesa aérea na América do Sul.

Leia também: O plano do governo Lula para transformar o Brasil em potência mundial de Defesa

Mais de 350 engenheiros brasileiros foram enviados à Suécia para capacitação avançada, enquanto o programa gerou cerca de 12 mil empregos. O envolvimento direto de instituições como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica ajudou a consolidar uma base técnica nacional capaz de atuar não apenas na montagem, mas em todas as fases do ciclo de vida da aeronave.

Hoje, com parte dos caças sendo produzidos em território nacional, o projeto ganha novos contornos. Segundo autoridades, 15 das 36 aeronaves serão fabricadas no Brasil, garantindo absorção de conhecimento estratégico e autonomia operacional.

É um passo estratégico para a defesa nacional e para a soberania do nosso país, fruto de uma decisão de uma das figuras mais injustiçadas da política brasileira.


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