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Tahirih, Beauvoir e a longa travessia da igualdade

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Ela nasceu em 1817, na Pérsia da dinastia Qajar — país que só mais tarde passaria a adotar oficialmente o nome Irã — uma das mais antigas civilizações contínuas do mundo, com mais de 2.500 anos de existência histórica. Chamava-se Tahirih. Num território em que religião, poder e patriarcado formavam um sistema fechado, sua existência intelectual já representava um desafio estrutural. Na primeira metade do século XIX, a Pérsia era rigidamente teocrática, regida por hierarquias religiosas, justiça arbitrária e controle severo sobre o corpo e a voz das mulheres. Educação feminina era exceção tolerada; autonomia, afronta direta à ordem social.

Filha de um clérigo influente, casada ainda jovem, Tahirih rompeu com o destino que lhe fora imposto ao aderir, ainda nos seus vinte anos, aos ensinamentos do Báb, movimento espiritual que questionava dogmas fossilizados e introduzia uma ideia radical para a época: a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Na Pérsia do século XIX, isso significava corroer as bases simbólicas do poder masculino, jurídico e religioso. Tahirih tornou-se uma das mais eruditas, combativas e temidas defensoras dessa ruptura intelectual.

O episódio de Badasht, em 1848, consolidou sua condição de figura revolucionária. Ao retirar o véu diante de um auditório exclusivamente masculino, Tahirih não buscou escândalo moral, mas impôs uma ruptura histórica. O gesto deixou claro que não se tratava........

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