“Esse prêmio é para quem não trai seus valores”: Wagner Moura conquista Hollywood sem abrir mão do Brasil
A vitória de O Agente Secreto no Golden Globe não foi um momento de consagração tardia nem um gesto de benevolência da indústria. Foi um ponto de inflexão. Um reconhecimento raro de um cinema que se recusa a simplificar conflitos, acelerar emoções ou negociar princípios estéticos para caber em modelos globais. Na noite em que o Brasil saiu de Los Angeles com dois Globos de Ouro — Melhor Filme Internacional e Melhor Ator em Drama — ficou evidente que integridade artística, quando sustentada com rigor, ainda é capaz de deslocar o centro do palco.
O Agente Secreto nasce dessa recusa. Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o filme aposta numa narrativa que exige do espectador atenção, memória e disposição para lidar com zonas cinzentas. Não há atalhos explicativos nem concessões dramáticas. A história avança por camadas, fragmentos e silêncios, construindo um thriller político que é menos sobre espionagem do que sobre o custo de viver num país atravessado por traumas não resolvidos.
Esse método autoral encontrou eco num circuito internacional cada vez mais saturado de fórmulas. Desde sua estreia em festivais, o filme foi tratado como obra de linguagem,........© Revista Fórum
