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Machocracia: o poder masculino cresce mesmo quando violenta mulheres

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11.02.2026

Nem o relato de mais de duzentas mulheres é suficiente para derrubar homens poderosos. Essa frase deveria produzir um terremoto político e moral em qualquer sociedade que se pretenda democrática, mas o que ela produz, na prática, é apenas ruído passageiro. Escândalos, manchetes, indignação temporária e, depois, a continuidade do poder.

É dessa continuidade que precisamos falar. Não apenas da violência em si, mas da capacidade que o poder masculino tem de atravessar denúncias, absorver relatos e seguir intacto. A pergunta central do nosso tempo não é apenas: por que homens violentam mulheres? A pergunta que realmente importa é: por que a violência contra mulheres não é suficiente para derrubá-los?

Vivemos sob uma lógica em que a misoginia deixou de ser apenas um traço cultural para se tornar uma tecnologia de poder. Ela não opera apenas no plano simbólico ou discursivo. Opera como mecanismo de proteção, blindagem e reprodução de autoridade masculina. Homens denunciados por múltiplas mulheres continuam sendo percebidos como líderes, empresários geniais, figuras políticas relevantes ou representantes de projetos maiores.

A violência contra mulheres não é lida como fator de inelegibilidade moral. É tratada como escândalo administrável. Essa diferença de tratamento revela o lugar que a palavra feminina ocupa na hierarquia de credibilidade social. Revela também........

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