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Porque seguimos apoiando a Venezuela — Por João Pedro Stédile

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03.06.2026

João Pedro Stédile afirma que a crise venezuelana atual não se explica apenas pelos fatos após 3 de janeiro de 2026.

Relata que a hegemonia dos EUA nos anos 1990, via NAFTA e a proposta da ALCA, culminou no Caracazo (1989) e na eleição de Chávez (1999), rompendo a onda neoliberal e inspirando governos progressistas na América Latina.

Aponta que, por quatro décadas, os EUA e suas elites empregaram táticas de guerras híbridas, inclusive o golpe de 2002 que tirou Chávez do poder por dois dias.

Conclui que esse histórico de intervenções justifica a continuidade do apoio internacional à Venezuela contra o imperialismo estadunidense.

A atual situação política da Venezuela não pode ser explicada apenas pelos acontecimentos posteriores a 3 de janeiro de 2026. Precisamos contextualizar o que vem acontecendo nas últimas quatro décadas. Na década de 1990, havia uma hegemonia total dos EUA no continente, que nos impôs o acordo do NAFTA (sigla para North American Free Trade Agreement ou Acordo de Livre Comércio da América do Norte) e, na sequência, queria impor a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) como uma área sob total controle do capital estadunidense. Todos os governos, menos Cuba, apoiavam os gringos.

Mas o povo de alguns países se insurgiu. Na Venezuela houve o Caracazo, em 1989; depois, a rebelião militar e, finalmente, a vitória eleitoral de Chávez, que assumiu o poder em 1999, quebrando a onda neoliberal e abrindo um novo ciclo de governos progressistas, que se seguiu com Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e Néstor Kirchner (Argentina), o que alterou a correlação de forças no continente. Agora se propunha uma outra integração no lugar da ALCA, derrotada formalmente em 2005. Teríamos, então, a ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América).

O imperialismo estadunidense, os governos democratas e republicanos e a classe dominante dos EUA não perdoaram a ousadia de Chávez e, por quatro décadas, usaram todas as táticas possíveis dentro do receituário descrito pelo pesquisador Andrew Korybko, com base nos documentos oficiais das Forças........

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