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Homem Aranha: um novo dia para refletir sobre a guerra contra os pobres

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06.08.2026

Pesquisa de abril do ano passado mostrou que a violência se tornou a maior preocupação dos brasileiros, desvinculada das questões sociais.

Megacorporações de comunicação como Time Warner, Disney e Sony buscam controlar a opinião pública mundial e impor padrões estéticos “baratos”.

O capitalismo atual visa substituir o Estado‑providência por um Estado penal, ampliando encarceramentos ou adotando punições extremas.

O filme “Homem Aranha: um novo dia” traz o debate entre punição carcerária e justiça extrajudicial, representado pelo herói e pelo Justiceiro.

Uma pesquisa realizada em abril do ano passado mostrou que “a violência se descolou das questões sociais e se isolou como a maior preocupação dos brasileiros”. A mídia também alimenta essa opinião espetacularizando a violência tanto nos noticiários quanto em suas produções fictícias.

Um dos principais objetivos das megacorporações globais do ramo da comunicação (Time Warner, Disney, Sony etc) é a “capacidade de controle da opinião pública mundial e a imposição de moldes estéticos cada dia mais ‘baratos’”. Baratos no sentido de fácil compreensão, não exigindo instrumentos críticos de interpretação.

Aproveitando essa situação, o estágio atual do capitalismo visa suprimir a discussão entre um Estado social e um Estado penal. A questão passa a ser qual será o tipo de Estado penal: um focado no aumento dos encarceramentos; ou um outro que adota um posicionamento mais radical, como a pena de morte, extermínio, genocídio etc..

Ideologicamente, para os liberais, a única responsabilidade do Estado é a questão da segurança pública. Pesquisas, como a citada acima, é prova de que a opinião pública (manipulada) está cada vez mais sendo conduzida a criticar a atuação do Estado – que deve ser mínimo -, não na sua deficiência em educação, saúde etc – que, por sua vez, devem ser privatizadas -, mas em seu desleixo para com a defesa da propriedade e da liberdade.

Essa lógica obriga os políticos a focar no tema da segurança (os outros temas tornam-se perfumaria) para angariar votos. Como colocou Judith Butler, “as populações se definem agora não pela crítica e a resistência, mas pela sua necessidade de mitigar sua insegurança e, portanto, de valorizar formas de policiamento e controle estatal”. E foi assim que vimos “a substituição progressiva de um (semi) Estado-providência por um Estado penal e policial, no seio do qual a criminalização da marginalidade e a ‘contenção punitiva’ das categorias deserdadas faz às vezes de política social”.

A discussão entre os dois tipos de punição é um tema que perpassa o novo filme do “Homem Aranha: um novo dia”. Enquanto o herói espanca os bandidos e os põe na cadeia, seu amigo, o Justiceiro, entende que bandido bom é bandido morto. O Estado, por seu turno, se apropria das tecnologias e dos poderes paranormais dos criminosos para aumentar a sua máquina repressora.

Políticas sociais que podem ser empreendidas pelo Estado não são discutidas. O mundo do crime se alimenta dos problemas individuais e emocionais das pessoas. Sendo assim, melhorar as estruturas das escolas, dos hospitais, promover uma política de desenvolvimento para a geração de empregos, distribuir a renda, reforma urbana etc., são temas que não fazem parte da mentalidade destes heróis. Eles não são heróis que protegem a população, mas heróis do neoliberalismo.

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O herói já passou por muitas modificações ao longo da história. Na Antiguidade era “um personagem fora do comum em função da sua coragem e........

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