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O povo não come PIB!

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17.02.2026

Economista Maria da Conceição Tavares, falecida em 8 de junho de 2024, criticava o foco exclusivo no PIB, defendendo que "o povo não come PIB, come alimentos".

Artigo analisa a persistência de dificuldades para a população brasileira, mesmo com indicadores macroeconômicos aparentemente positivos.

Aumento da faixa de isenção do IRPF e baixos níveis de desemprego não se traduzem em aprovação do governo devido à precarização do trabalho e alto endividamento.

Endividamento e inadimplência afetam desproporcionalmente famílias de baixa renda, com percentuais significativamente maiores em comparação com as de alta renda.

Maria da Conceição Tavares foi a grande mestra de várias gerações de economistas que não raciocinam pela lógica das abordagens conservadoras, liberais e monetaristas dos fenômenos econômicos. Ela nos deixou em 8 de junho de 2024, aos 94 anos de uma vida intensa e produtiva. Maria Conceição não aceitava passivamente os ditames do mundo do financismo e muito menos as soluções apresentadas pelo campo do neoliberalismo para os problemas estruturais da economia e da sociedade brasileiras.

Os meios de comunicação costumam repetir algumas de suas frases icônicas, em especial a ideia de que o povo não come PIB. Em março de 2104, a economista concedeu uma entrevista ao Globo e, em meio a uma série de outros assuntos, ali afirmou que “ninguém come PIB, come alimentos”. Ela tentava encontrar explicações para o fato de que a economia parecia retomar à época algum crescimento e a inflação estava relativamente controlada. Questionada a respeito de soluções apresentadas pelo povo da Faria Lima de aumentar o desemprego para controlar o crescimento dos preços, ela não titubeou: “aumentar o desemprego para combater a inflação… Vou te contar é pior do que o Fundo Monetário. Não leio mais economia para não me aborrecer. É um festival de besteira”.

Enquanto concedia a entrevista, a professora não poderia imaginar que apenas alguns meses depois, após sua reeleição, Dilma Roussef chamaria Joaquim Levy para chefiar o Ministério da Fazenda. E ele viria justamente com um plano de redução de salários e de aumento do desemprego para diminuir a demanda agregada e, assim, combater a inflação. Em suma, a aplicação diligente da cartilha do neoliberalismo para promover ao ajuste cima dos mais pobres. Se ainda estivesse entre nós, ela certamente teria um nível mais elevado de indignação ao verificar os termos das notas e comunicados do Comitê de Política Monetária (COPOM) para justificar a........

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