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Peripécias da Imprensa Alternativa

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06.05.2026

Em 1975 foi fundado o jornal alternativo “Versus”, com Marcos Faerman como editor em 1976, trazendo jornalistas gaúchos como Caco Barcelos, que hoje atua na TV Globo.

O autor ressalta que a passagem de jornalistas do movimento alternativo para a Globo não implica má conduta, contrapondo críticas ao jornalista Carlos Alberto Sardebeng, que defende neoliberalismo e privatização da Petrobras.

“Versus” foi inspirado na revista uruguaia “Crisis” e no jornal “Marcha”, de Eduardo Galeano, destacando‑se pela diagramação de Toninho Mendes e forte uso de ilustrações.

O ambiente editorial de “Versus” era marcado por debates culturais e políticos, contrastando com o clima mais descontraído do jornal satírico “Pasquim”.

Depois de escrever uma crônica citando alguns jornalistas revelados pelo “Movimento”, que se destacaram na grande imprensa, fiquei me lembrando de mais umas histórias dos jornais em que participei e especialmente de alguns companheiros de trabalho.

Antes de continuar, quero fazer uma ressalva sobre o meu texto anterior: do jeito que contei, de dois jornalistas do “Movimento” que foram para a Globo, ficou parecendo que o simples fato de ir para a Globo os tornava ruins. Não é isso. O ruim é o cara ter bandeado de vez “pro outro lado”, de corpo e alma. A gente imaginava que um cara “formado” na imprensa alternativa nunca seria um neoliberal ou algo muito pior, mas aconteceu. Eu me espantava com os comentários sobre economia de Carlos Alberto Sardebeng na CBN e na Globo: neoliberalismo total, defendia a privatização de tudo, até da Petrobras.

Muita gente boa foi para a grande imprensa e continuou engrandecendo a profissão. Cito só um exemplo aqui: conheci Caco Barcelos no “Versus”. Fundamos o jornal no final de 1975 e no ano seguinte Marcos Faerman, editor, trouxe vários gaúchos para o jornal, entre eles o Caco, que até hoje faz um jornalismo inatacável na TV Globo. E há outro(a)s jornalistas de verdade lá.

Bom, vamos a outras lembranças.

Para começar, quando era da equipe do “Versus”, comecei a colaborar no “Pasquim”, mandava minhas matérias por malote (existe isso ainda?) ou, quando viajava para outros estados, pelo correio, mas de vez em quando ia ao Rio de Janeiro e aproveitava para dar uma chegada na redação do jornal. Alguns amigos vinham me perguntar sobre como era o dia a dia nas redações do “Versus” e no “Pasquim”, achando que no “Versus” era um ambiente sério demais, com discussões culturais e políticas o tempo todo, e no “Pasquim” era uma gandaia permanente. E se espantavam com a minha resposta. Quando entrava na redação do “Pasquim”, eu dizia, tinha a impressão de que estava entrando num escritório de contabilidade, cada um na sua mesa, quietos, com exceção do Jaguar, que parecia um anarquista em tempo integral. Já no “Versus”, as reuniões sérias eram só quando necessárias, o resto do tempo era gente bebendo no quintal, conversando sobre generalidades na sala ou namorando num cômodo confortável do porão.

O Marcos Faerman, Marcão, era um dos mais destacados repórteres do Brasil. Vindo do Rio Grande do Sul, onde teve uma militância importante no movimento........

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