É cada vez mais arriscado ser técnico no Brasil? Nem vitórias impedem demissão de Filipe Luis, Crespo e Anselmi
Martin Anselmi foi demitido pelo Bragantino após 18 rodadas, com o time na zona de relegação.
Filipe Luís deixou o Flamengo após vencer o Madureira por 8 a 0, mesmo após conquistar Libertadores e Brasileiro em 2025.
Hernán Crespo foi desligado do São Paulo após duas entrevistas que desagradaram à diretoria, apesar de oito vitórias consecutivas.
Casos evidenciam a falta de estabilidade para treinadores no futebol brasileiro, mesmo com resultados positivos.
O Bragantino perdeu em casa para o Botafogo, por 2 x 1. E o treinador do time, Martin Anselmi, foi demitido por incrível que pareça. Após 18 partidas apenas.
O caso, por mais bizarro que possa parecer, não é o único no atual campeonato brasileiro. O Flamengo e o São Paulo vieram antes.
O primeiro caso foi de Filipe Luís, do Flamengo. Ele terminou o ano cheio de glórias, com as conquistas da Libertadores e do Brasileiro. Títulos semanais, prenunciando um domínio histórico. Chegou 2026. Trouxe desilusões. O Flamengo perdeu dois títulos muito menos importantes do que os do ano interior. Foi dominado pelo Corinthians na Supercopa e pelo Lanús, na Recopa Sul-americana.
Havia um caminho fácil para que as vitórias voltassem. Bastava vencer o Madureira na semifinal do Carioca. O time venceu por 8 x 0 e Filipe Luís não deu entrevistas pós-jogo. Foi demitido antes. “Quando pego um trem errado, desço na primeira estação”, disse o presidente BAP. O “trem”, no caso, é Filipe Luís, que teve seu contrato renovado em dezembro, quando o Flamengo estava nos trilhos .
Assumiu Leonardo Jardim, que vai bem, obrigado, ganhou o título carioca e está reagindo muito bem no Brasileiro.
Hernán Crespo foi demitido após duas entrevistas que desagradaram a diretoria.
No começo do Paulista, o time estava mal e ele disse que a meta do ano era a permanência no série A do Brasileiro, alcançando 45 pontos. Rafinha, ex-lateral, havia assumido o cargo de diretor de futebol e contradisse Crespo, com um discurso megalomaníaco: o São Paulo sempre precisa ser campeão e ele, Rafinha, havia levantado uma taça mesmo com salários atrasados. O time melhorou e chegou a uma série de oito vitórias, um empate e uma derrota.
Crespo deu outra entrevista, no mesmo tom. Disse que o São Paulo seria campeão, mas demoraria um pouco. Não seria com ele. Foi demitido antes de a entrevista ir ao ar. Bastaram alguns recortes promocionais nas redes sociais.
Roger Machado foi contratado, sob enorme pressão: o time estava bem, ele tem poucos títulos no currículo e um perfil de esquerda, que não agrada grande parte da torcida são-paulina. Ganhou os dois primeiros jogos e perdeu os dois seguintes. E já está balanNinguém garante tempo de trabalho. Vai depender de vitórias. E muito.
Diante de Crespo e Filipe Luís, a demissão de Anselmi é mais justificável. O time está na zona de rebaixamento, muito distante do que pensa John Textor, dono da SAF, e que vive na Flórida.
Se estivesse perto, talvez a percepção fosse outra. Enfim, o alerta está dado. Não adianta apenas vencer
