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A guerra silenciosa pelos minerais e a oportunidade estratégica do Brasil

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08.02.2026

O grande debate que hoje mobiliza Washington não é apenas comercial. Está em disputa o controle da base material da economia do século XXI. Em um mundo cada vez mais eletrificado, digitalizado e tensionado por rivalidades estratégicas, minerais críticos deixaram de ser um tema técnico para se tornar um vetor central de poder.

Durante o século XX, o petróleo estruturou alianças e guerras. Agora, terras raras, lítio, níquel, cobalto e grafite começam a desempenhar papel semelhante. Sem esses insumos não há baterias, semicondutores, inteligência artificial, armamentos sofisticados nem transição energética. Não há, portanto, soberania tecnológica.

A geopolítica, literalmente, desceu ao subsolo.

Quem realmente controla as reservas?

Convém começar por um dado que ajuda a desmontar muitas percepções apressadas: a China é, de fato, a maior detentora de reservas de terras raras do planeta, com cerca de 44 milhões de toneladas — algo próximo de metade do total mundial.

Mas o segundo lugar não pertence aos Estados Unidos. Pertence ao Brasil.

O país reúne aproximadamente 21 milhões de toneladas, o equivalente a cerca de um quarto das reservas globais.

Já os Estados Unidos aparecem muito atrás, com algo em torno de 1,9 milhão de toneladas, atrás inclusive da Índia e da Austrália.

Esse ranking deveria provocar mais debate do que provoca. Porque altera completamente a narrativa tradicional segundo a qual o poder mineral estaria concentrado apenas nas grandes potências.

Na realidade, ele está muito mais distribuído — e isso muda o tabuleiro.

A polêmica inevitável surge aqui:
se o Brasil é uma potência geológica, por que ainda não é uma potência mineral-industrial?

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