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Vizinho

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16.09.2026

Agnaldo é cordial. Fala mansa, olhar maroto, não regula “obrigado”, “por favor”, “gratidão, senhora”.

Minha mãe definiria como “homem de bons modos”.

Minha avó chamaria de “fidalgo de quatro costados”.

Muitos imaginam que um cidadão gentil segue as boas maneiras da convivência: do bom dia, do boa tarde, do sorriso no elevador.

Não, não é esse o caso de Agnaldo. Educado ele é, mas não mostra os dentes à toa.

Conheci Agnaldo em um dia especial: ganhara de minha filha duas camisetas, dessas de ir à academia ou bater perna. Tirei outras duas da gaveta para doar. A verde interessou a uma vendedora de chicletes na rua.

Logo vi Agnaldo. O homem magro me encarou com a palma da mão esticada.

– Por favor, tem um real para inteirar meu almoço?

– Não tenho. Você quer essa camiseta?

Agnaldo aprovou o modelo e me desconcertou com sua franqueza.

– O senhor desculpe, não quero, não. Eu durmo na calçada, moço. Essa camiseta branca fica imunda na primeira noite. A gente não tem onde tomar banho, muito menos lavar roupa. Se fosse preta, marrom, eu ficava.

Concordei pensando na sinceridade........

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