O golpe começa pela desmoralização dos Três Poderes
A quem interessa que, às vésperas da eleição, os brasileiros sejam bombardeados com vazamentos até deixarem de confiar simultaneamente nos Três Poderes que sustentam — ou deveriam sustentar — a democracia?
O eleitor tem direito de conhecer fatos relevantes sobre quem pretende governá-lo. O problema começa quando investigações e informações sigilosas passam a circular seletivamente como armas políticas.
O Datafolha acaba de medir o tamanho da erosão. Neste sábado,12 de setembro, 77% dos brasileiros dizem que sua confiança no Supremo diminuiu e 76% consideram excessivo o poder de seus ministros. Mas 71% ainda consideram o STF essencial para a democracia. O Supremo ainda não perdeu sua legitimidade democrática. Mas está perdendo confiança social. E é exatamente nesse intervalo que uma democracia se torna vulnerável.
O segundo governo é mais radical
Steven Levitsky e Daniel Ziblatt oferecem em “Como as democracias morrem” uma chave para compreender o fenômeno. O Congresso pode continuar votando. A Suprema Corte, julgando. As eleições, acontecendo. O presidente pode continuar sendo escolhido pelo voto. E a democracia pode ter sido esvaziada por dentro.
Tribunais, Ministério Público, Polícia Federal e Justiça Eleitoral são árbitros da democracia. O aspirante a autocrata não precisa destruí-los: basta capturá-los. Viktor Orbán não aboliu as eleições na Hungria. Erdoğan não fechou o Parlamento turco. Na América Latina, Nayib Bukele chegou ao poder pelo voto e, depois, subordinou o Judiciário, enfraqueceu os controles institucionais e abriu caminho para uma reeleição que a Constituição de El Salvador proibia.
Todos chegaram ao governo pelas urnas e progressivamente alteraram as condições em que as eleições seguintes seriam disputadas. As instituições permaneceram de pé. O que desapareceu foi sua capacidade de limitar o poder.
O cientista político alemão Peter Birle, diretor de pesquisa do Instituto Ibero-Americano de Berlim, advertiu neste sábado, 12 de setembro, que muitas vezes é no segundo governo da extrema direita que chegam as transformações mais radicais.
No Brasil, uma segunda experiência da extrema direita teria uma particularidade inquietante. Jair Bolsonaro já descobriu quais instituições impediram seu projeto: STF, Justiça Eleitoral, Polícia Federal e parte das Forças Armadas. Flávio não precisa descobrir onde estão os obstáculos. O pai já lhe entregou o mapa.
Flávio Bolsonaro já anunciou o que pretende fazer com uma dessas instituições. No palanque do 7 de Setembro declarou que indicará cinco ministros para o Supremo e que Alexandre de Moraes “vai cair”. Somadas às indicações de André Mendonça e Nunes Marques feitas pelo pai, uma eventual Presidência de Flávio poderia produzir influência bolsonarista decisiva sobre a........
