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Bolsonarismo sobrevive sem Bolsonaro, mas não sem Lula

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02.10.2026

À primeira vista, o título deste artigo soa paradoxal. Afinal de contas, como o bolsonarismo, principal movimento da extrema direita tupiniquim, poderia sobreviver sem seu ídolo máximo, mas não sem seu principal inimigo? O argumento aqui desenvolvido é esse mesmo.

Explico. Apesar de agrupar o que há de mais repugnante na sociedade brasileira, o bolsonarismo não tem um projeto próprio de país – a não ser, é claro, entregar nossas riquezas ao imperialismo estadunidense. Não se trata de indivíduos unidos por uma ideologia em comum. Muitos membros dessa seita política, inclusive, não são necessariamente fascistas, são apenas estúpidos mesmo.

Para entender o que unifica o bolsonarismo, podemos recorrer a Freud, mais precisamente à obra “O mal-estar na civilização”. Segundo o pensador austríaco, é mais corriqueiro que determinados grupos tenham coesão a partir de um inimigo em comum do que em relação a um certo objetivo. Dito de outro modo, as pessoas tendem a se agrupar muito mais em torno do ódio do que no amor.

É a mesma lógica que opera, por exemplo, no engajamento sobre uma postagem nas redes sociais. Os algoritmos que reforçam discórdias na internet nada mais fazem do que replicar........

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