O dilema da barata e a farsa da direita antissistema
Artigo analisa a adesão de classes populares a projetos políticos de direita que as prejudicam, comparando-as a "baratas" que votam no "inseticida".
A direita, segundo o artigo, cria um "pseudoambiente" de desconfiança e raiva, manipulando emoções e usando algoritmos para polarizar e direcionar o voto dos mais pobres.
O autor defende a necessidade de "alfabetização midiática radical" e reconstrução de instituições de base para combater a manipulação e oferecer alternativas de futuro.
Concentração de renda e desigualdade são apontadas como fatores que intensificam o voto "contra si mesmo", alimentando o autoritarismo e o cinismo.
O pobre que odeia o pobre, que vota contra seus próprios interesses, que abraça o discurso que o explora – não é um idiota moral. Ele é um habitante da pseudoconcreticidade. Esta é a primeira verdade que precisamos assimilar se quisermos compreender o fenômeno mais perturbador da política contemporânea: a adesão das classes populares a projetos políticos que as empobrecem ainda mais.
A direita construiu para si a máscara perfeita: a do rebelde, do outsider, do que vem para “drenar o pântano”. Quando o pobre exerce o voto “contra o sistema” elegendo essa representação oi, fortalece os pilares do sistema que o oprime. Seria como a barata escolher a sandália que a esmagará.
Como isso é possível?
Vivemos sob um regime de simulacro. A direita ataca “as elites” – mas ela própria representa as elites econômicas, políticas e familiares. Banqueiros, agroindustriais, grandes empresários financiam suas campanhas e sua militância online. Famílias tradicionais que se........
