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Crítica da razão bélica

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22.12.2025

Na recente apresentação à comunicação social da mensagem do Papa para o próximo Dia Mundial da Paz, interveio um professor de Filosofia do Direito da Universidade de Pisa, de nome Tommaso Greco. Fiquei de imediato interessado em conhecer o seu pensamento sobre a temática da paz e em poucos dias chegou-me pelo correio e li o seu último livro, que tem por título Critica della ragione bellica (Edizioni Laterza, 2005).

Trata-se de uma tese notoriamente contra a corrente do pensamento hoje dominante e que muitos poderão considerar irrealista e utópica (acusação de que o autor procura defender-se). Insurge-se nitidamente contra a lógica que subjaz aos planos de rearmamento da Europa.

Essa lógica pode ser ilustrada com o velho adágio “se vis pacem para bellum” (“se queres a paz, prepara a guerra”): a paz só se alcança com a dissuasão e a ameaça contra potenciais agressores, porque só o equilíbrio entre potências garante que uma delas não desencadeia a guerra. Tommaso Greco procura desmascarar a contradição que representa fundar a paz a partir da ameaça da guerra. Desse modo, a paz será sempre precária, ou até inatingível.

Parte essa lógica da paz dependente da dissuasão do pressuposto de que a guerra é inevitável, porque é a tendência natural do ser humano (“homo hominis lupus”, “o homem é o lobo do homem “, o pressuposto de que partia o filósofo........

© Renascença