Como escolher o Presidente
As eleições presidenciais deste domingo são as primeiras em que os portugueses se preparam para escolher um Presidente da República que não desempenhou papel histórico no início do regime saído do 25 de Abril.
Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva ou Marcelo Rebelo de Sousa foram figuras ativas nos primeiros anos da democracia. E marcaram esses anos, cada a um seu modo. E a seu modo, cada um deles tinha personalidade vincada e diferenciada. Ainda assim, como Presidentes da República no quadro dos respetivos poderes constitucionais, não governaram nem ‘mudaram’ o país. Nem o poderiam fazer. Não é esse, no nosso sistema constitucional, o papel do Presidente.
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Tomaram decisões que influenciaram genericamente o curso político do país, mas sem poderes executivos para decidirem o que alguns dos atuais candidatos presidenciais parecem querer decidir.
Mário Soares, por exemplo, dissolveu a Assembleia da República quando o PSD governava em minoria, abrindo portas à primeira maioria absoluta de Cavaco Silva. A sua decisão teve impacto nos anos que se seguiram. Mas foi Cavaco a governar, com soluções que frequentemente desagradaram ao Presidente.
Jorge Sampaio dissolveu o Parlamento quando PSD e CDS governavam com maioria absoluta, permitindo o início dos governos de José Sócrates. A decisão presidencial teve também consequências políticas importantes. Mas, uma vez mais, foi Sócrates quem conduziu o país, até ao ponto que se conhece. Não foi Sampaio quem governou.
Até às eleições de 18 de janeiro, a Renascença diz(...)
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No meio de candidaturas que atualmente prometem mudar o sistema, o país, a saúde ou a justiça vale a pena sublinhar: quem promete essas mudanças está a mentir; quem promete essa transformação (rutura ou o que lhe queiram chamar), candidatou-se à eleição errada. Deve esperar com a paciência possível (mas que é própria das democracias) pelo tempo de novas eleições legislativas.........
