Lobo Antunes, Zidane e os funcionários do futebol
Um amigo que paga as contas com a labuta no futebol mandou-me uma mensagem noutro dia. Não falávamos há mais de um mês. Partilhava com ácida e quase nobre satisfação o vídeo de Gareth Bale a dizer que Zinedine Zidane não fazia muito como treinador do Real Madrid. “Aí está. Zidane, grande treinador”, escreveu. Benzi-me mentalmente e concordei.
A minha descrença nos treinadores (ou na importância que têm) não é popular entre amigos. Zidane não foi para o Real Madrid ensinar alguém a jogar futebol, nem para ouvir espinhas a estalar. Como não havia grandes movimentos padronizados no seu Real, nem genialidades reconhecíveis ou decisões indizíveis, nem um suor místico ou gestos mirabolantes, o trabalho não foi de autor. Zizou respeitou a natureza dos jogadores, não se quis impôr ao protagonista, ainda menos ao artista.
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“Meter o futebol num computador parece-me muito imbecil. A única coisa que se consegue é converter os jogadores em imbecis”, defendeu há umas décadas César Luis Menotti, uma bússola para os que acham que o futebol devia ser outra coisa. Convém dizer o óbvio, a culpa não é dos atletas. São as grandes vítimas aliás, tratam de eliminar a criança que há neles para poderem cumprir um sonho ou ter uma vida digna.
Na última crónica no “El País”, Jorge Valdano escreveu um artigo intitulado........
