Editorial: Saúde
José Júlio Cruz - 12/03/2026 - 9:03
Um conhecido de longa data, já com uma idade avançada, abordou-me esta semana com um problema relacionado com o acesso à saúde. Sem médico de família, recorre à consulta aberta no centro de saúde onde habitualmente costuma ser atendido.
Há umas semanas que não consegue solução. Segundo conta, já lhe disseram até para ir a outro centro de saúde na cidade albicastrense. Como ainda consegue andar, já lá foi quatro vezes e apenas uma (em novembro de 2025) foi atendido.
E ficou sem saber o que fazer. “O jornal podia fazer um alerta sobre isto”, atira. “Claro que sim, até já o fizemos várias vezes”, respondo, com a garantia de que voltaremos ao tema. “Ninguém fica sem ser atendido”, ouve-se amiúde das entidades responsáveis pelo setor. Será!!!
A questão que aqui me faz trazer este caso, outros haverá e certamente mais graves, naqueles que não têm voz ou que, ao contrário deste senhor, já não se conseguem deslocar pelos próprios meios, nem é tanto as dificuldades sentidas pelo setor em dar resposta às inúmeras solicitações de uma população cada vez mais idosa e incapaz de se valer por si. São escassos os recursos humanos disponíveis, como todos sabemos. É mesmo a indiferença e a desumanização que está inerente a tudo isto.
Se um cidadão se desloca a um serviço público com necessidade de encontrar uma resposta capaz para o seu problema, deve andar a ser «chutado» de um lado para o outro consecutivamente? Não haveria alguém pelo menos simpático a aconselhar e ajudar a saber o que fazer?
«Este país não é para velhos» é o nome do filme que se me ocorre. É esta a sociedade que estamos a construir.
A fatura chegará mais rapidamente do que pensamos. A todos.
