Os soberanistas, a União Europeia e soberania postiça
“Há uma altura em que, depois de se saber tudo, tem de se desaprender”Alexandre O’Neill
“Há uma altura em que, depois de se saber tudo, tem de se desaprender”Alexandre O’Neill
Por ocasião do Dia da Europa (celebrado em 9 de maio), e sendo o ano em que se comemora um número redondo da adesão de Portugal às (então) Comunidades Europeias (40.º aniversário), vêm à colação os que prestam tributo ao soberanismo, presentes em quadrantes políticos populistas e radicais, que investem um arsenal argumentativo contra a Europa.
Não está em causa negar o direito à divergência, nem cobrir o espaço público com imperativos categóricos ou determinismos históricos que são rasantes ao pensamento único sobre a Europa. Por vezes, a sobranceria dos euro-otimistas empurra-os para a intolerância, vertendo arrogância sobre os adversários da integração europeia e ficando numa posição semelhante à das várias extrações de populistas e radicais anti-Europa. Um dos valores da Europa unida é a liberdade. A liberdade de pensamento é uma das suas expressões. Não se pode desprezar os que desconfiam do avanço da Europa e se agarram à tábua de salvação da soberania nacional.
Os soberanistas temem que “mais Europa” comprometa a soberania nacional e dite a dissolução das nacionalidades existentes, que serão substituídas por uma putativa nacionalidade europeia. Convocam a inviolabilidade da soberania nacional para se oporem ao avanço da União Europeia (UE) ou, numa versão mais radical, para peticionarem o seu desmantelamento.
O papel do euro-otimista é argumentativo. Deve adotar uma posição construtiva, sem se........
