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Uma democracia pós-partidária

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03.04.2026

A crise contemporânea das democracias europeias tem vindo a expor um progressivo esvaziamento dos partidos tradicionais, particularmente dos partidos da área da social-democracia. Em Portugal, esse momento torna-se especialmente visível: o Partido Socialista acaba de se reunir em Congresso e o Partido Social Democrata prepara-se para realizar o seu em junho, momentos que poderiam representar oportunidades de reflexão estratégica e de adaptação a uma realidade política em mutação.

No entanto, a trajetória recente de ambos sugere uma dificuldade persistente em reformular modelos de governação e de organização interna que respondam às expectativas dos cidadãos. Este fenómeno não é apenas conjuntural, mas estrutural, refletindo uma crescente desconfiança face à mediação partidária enquanto instrumento de representação política. A chamada “partidocracia” deixou de ser apenas uma crítica académica para se tornar uma perceção social alargada: a de que os partidos tendem a fechar-se sobre si próprios, reproduzindo elites, disciplinando o pensamento interno e afastando-se das reais........

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